terça-feira, 23 de setembro de 2014

Minha primeira prova de Montanha

“Se te abaixasses, montanha, 
poderia descansar. 
Mas não te abaixes, que eu quero 
lembrar, sofrer, esperar. 
Cecília Meireles



Neste ano de 2014, fiz minha primeira prova de  montanha. Foi um revezamento na K42 Indomit Bombinhas. Eu cheguei em Bombinhas aterrorizada. Eu não sabia se iria completar a prova, se iria gostar ou odiar, mas sabia que seria algo diferente de tudo que já havia feito.

Na manhã de sábado do dia 16 de agosto, seguimos até até a largada da prova, cheios de ansiedade.  Choveu a noite toda. Eu faria o segundo trecho do revezamento, ou seja, os 21km finais. O meu parceiro: Átila Trapé ficou com o treço inicial da prova e me passaria o bastão, ou melhor, a pulseira rs, assim que terminasse os seu trecho. Logo no início da prova começaram as trilhas estreitas, ora subindo os morros, ora descendo até a praia, trechos de areia fofa, descidas escorregadias, subidas infinitas. Paisagens surreais, praias desertas e o melhor na minha opinião: as trilhas cortando os morros, molhadas, barrentas, que me renderam alguns tombos e fizeram o trajeto ainda mais emocionante. 

Pela primeira vez não senti aquela vontade imensa de parar, não fui atormentada pelos pensamentos insistentes: “o que estou fazendo aqui”, ou ainda: “porque não estou na cama dormindo ”. Eu queria mais. Pela primeira vez senti que poderia fazer uma maratona. E continuei sentindo isso até a última subida. Quando terminei de subir, senti as pernas esgotadas e pesadas me chamando de volta para a realidade. A verdade é que ainda preciso treinar muito para chegar a uma maratona. Depois disso,  ficou difícil correr na rua novamente... 

E com uma nova motivação, a única certeza que tenho é que preciso repetir a experiência. Bombinhas, me espere, pois eu sei que volto! Foram 21km de poesia, encravada nas montanhas de Santa Catarina. Ano que vem tem mais, tem que ter...


Trecho do "Costão" (Foto: Santi Asef).

Pronta para escorregar...
Também é preciso dizer que a organização da prova foi perfeita. Cada participante levava seu próprio recipiente de água, evitando que copos de plástico fossem jogados nas trilhas. O respeito que a natureza merece. A recepção e entrega do kit foi organizada. Além disso, os eventos realizados como: jantar de massas, na véspera da prova e cerimônia de premiação que foram muito animados.

Por último e não menos importante, deixo minha gratidão àqueles que foram diretamente responsáveis por essa experiência: Filipe Oliveira, pelo incentivo e treinamento e Átila Trapé, meu parceiro de prova, que me convidou para dividir esse percurso.


As pessoas mais importantes e diretamente responsáveis por essa conquista: Filipe Oliveira e Átila Trapé.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Morando, estudando e treinando na terra da rainha

Eu cheguei na Inglaterra no fim do verão/início da primavera, com temperaturas ainda quentes. Meu objetivo era dar conta da demanda de trabalho do doutorado, não desanimar dos treinos de corrida e musculação e fazer atividades que melhorassem o meu inglês.




Na universidade a maior parte das pessoas é de origem estrangeira, pelo menos era assim na minha área (Departamento de computação). Dessa forma, ficava difícil conviver com nativos.

Campos de trigo, vista de um dos meus treino ...

Foi quando procurei o grupo de corrida da cidade, o Canterbury Harriers. Eles me aceitaram. Paguei uma anuidade de cerca de 25 libras. Nos reuniámos 2 vezes por semana. E os treinos eram geralmente um intervalado, ou rampa e um treino de rodagem.  Para mim a importância de ter sido aceita foi muito além dos treinos, no grupo todas as pessoas eram moradoras da cidade e foi a melhor maneira de conhecer e conversar com nativos.

Coleção de medalhas gringas :D
Uma coisa interessante é que os ingleses faltavam nos treinos durante o verão, afinal 26 graus é muito calor pra correr rs. Enquanto que no inverno, não perdiam um treino e eu saia de casa morrendo ...

Minha primeira corrida em terras gringas
Whistable parkrun.
O convívio com o pessoal da cidade me fez perceber que os ingleses apesar da fama de reservados são amigos, divertidos e não perdem uma piada por nada rs. Além disso, as amizades me renderam saídas divertidíssimas e muito aprendizado.

Os grupos de corrida são bem organizados na Inglaterra, filiando-se a um você ganha um número e passa a receber descontos nas competições, Além de notícias através do England Athletics. Todas as cidades tem seu grupo de corrida e existem vários campeonatos locais.

Uma outra coisa sensacional que nasceu na Inglaterra e que hoje também existe em outros países da Europa são os chamados Parkruns. O parkrun é um treino organizado de 5 km que ocorre todos os sábados em diversas cidades. É grátis e organizado exclusivamente por voluntários, isso é lindo gente !!! Realizando o cadastro de corredor você ganha um código de barras que pode ser usado em qualquer lugar que tenha um parkrun. Além disso, o seu tempo fica disponível on line e você pode acompanhar seu progresso. O parkrun é uma iniciativa sem fins lucrativos que busca incentivar a inclusão e o bem-estar dentro de uma comunidade. Maiores detalhes na página do parkrun  http://www.parkrun.com/ !!!

Feliz na minha primeira meia maratona, apesar da temperatura de 6 graus.

Foi também nas terras da rainha que fiz minha primeira meia maratona !!! :P


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Course Paris-Versailles

Uma das provas mais interessantes que tive a oportunidade de participar nessa minha breve história de corredora amadora foi o curso Paris-Versalhes. A largada da prova foi aos pés da torre Eiffel e sua chegada em frente ao palácio de Versalhes, depois disso não preciso dizer mais nada, né hehe. Não consigo nem descrever a beleza desses dois monumentos. O percurso é realizado por fora da cidade e corta uma Floresta, minha parte preferida!!!


Um dos pontos que a organização da prova deixou a desejar foi  na disponibilização de informações em inglês. Os emails enviados aos corredores foram todos em francês. A própria largada foi toda narrada em francês. Por se tratar de uma prova internacional, acredito que a organização deveria pelo menos acrescentar um tradutor.

No mais, o percurso é relativamente tranquilo, os pontos de hidratação foram  suficientes e o custo da inscrição também foi acessível, cerca de 23 euros.

Quem tiver a oportunidade de correr o curso vai acrescentar ao currículo um tour pela cidade luz que poucas pessoas tem a oportunidade de fazer. Esse ano a prova será dia 28 de Setembro e as 25 mil inscrições disponibilizadas já estão esgotadas.


chegando!
A medalha: O meu souvenir favorito de Paris.

Com o Palácio de Versalhes ao fundo.
Ah e depois da prova o passeio pelo Palácio é obrigatório. Difícil é ter pernas !!! 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Minha relação com o esporte

Eu era uma pessoa completamente sedentária até 2011, quando os meus 25 anos de alimentação desregrada começaram a pesar, junto com uma autoestima baixa e problema pessoais.

Não estava muito feliz com o meu corpo e a questão estética deu o empurrão que faltava. Sem contar na amiga Daniane que na epóca também queria largar de vez o sedentarismo e que já vivia puxando minha orelha e tentando me arrastar para corrida, quando eu sempre dizia: "Tá doida, vou correr pra quê, correr não leva a lugar nenhum kkk".

Começamos a fazer musculação em julho de 2011, com avaliações físicas trimestais aplicadas por um educador físico. Os progressos começaram a aparecer, a banha começou a sair, reduzi o meu percentual de gordura. Comecei a curtir muito a coisa de ficar forte, de ganhar massa, suplementar. Daí em diante a alimentação mais saudável deixou de ser um sacrifício enorme. Junto também veio o interesse de buscar mais informações sobre treino e dieta.

Depois disso, a atividade física na minha rotina só aumentou. Na verdade, no início só a musculação, que virou uma paixão e até junho de 2012, eu não praticava nenhum tipo de cardio, foi quando comecei a correr.

Série Delta Grécia - 5km -Ribeirão Preto. Uma das minhas primeiras provas, junto com a parceira Daniane.

Bem desde sempre minha relação com a corrida foi complicada. Ao contrário, da relação prazerosa que eu tinha com a musculação, a corrida sempre foi muito penosa, difícil mesmo. Sempre ouvi várias pessoas dizerem do quando a corrida dava prazer e nunca consegui entender isso, pois só sentia dor e desconforto correndo.

Em outubro de 2012 fiz minha primeira prova de 5Km, foi o Circuito da Longevidade da Caixa, depois disso nunca mais parei de de treinar e pegar provas, logo a distância foi aumentada para 10 Kms e mais recentemente fiz minhas primeiras Meias Maratonas.

Durante meu período de doutorado, também tive a oportunidade de viver durante 1 ano na Inglaterra e participar de algumas provas na Europa também. Postarei minhas opiniões e fotos sobre essas provas.

Nesses 3 anos, minha vida mudou bastante e para melhor, foram quase 10% de gordura corporal reduzida, minha disposição que melhorou muito, dores de cabeça, antes frequentes, que praticamente desapareceram, sem contar na autoestima.

Hoje, não imagino minha vida sem atividade física. Minha relação com a corrida também melhorou muito, mas ainda existe um grande conflito que é correr apenas para melhoria estética e saúde ou realmente focar minha energia nos treinos e começar a buscar performance. Esse conflito ainda não resolvi, rs. 

Meia Maratona Caixa do Rio de Janeiro 2014
Indomit Bombinhas- 21km de Montanha - 2014